sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Pais, Filhos e Novelas!!!

Passeando sobre o Yahoo Respostas, vi uma pergunta sobre o autor Manoel Carlos e mau exemplo que "ele está dando" com o personagem da atriz Klara Castanho, a Rafaela da novela Viver a Vida.  Contudo, devemos lembrar que nem todas as histórias fictícias são pura imaginação. A arte, certamente, imita a vida.


Rafaela é uma menina mal-criada e se comporta como um adulto. Os adultos a volta tentam usar da política de boa vizinhança com a garota, e a mãe age como se a filha fosse a melhor amiga dela que está numa fase ruim. Será que tudo isso é apenas ficção?



Eu acredito que, guardada as devidas proporções, a novela está refletindo exatamente o que acontece na realidade.

Hoje, com as diversas campanhas contra violência infantil (eu aprovo todas) e a chamada psicologia infantil, os pais passaram a ser amigos dos filhos ao invés de se preocupar em educá-los.

Nada contra os pais que conversam com seus filhos sobre tudo e explicam o porque de cada ordem que dão. Acontece que, para mim, há uma idade mínima para isso.

Se um os pais proíbem um pré-adolescente de 13 anos a ir para um passeio da escola, acho muito justo que os pais expliquem o porquê de tal atitude, ressaltando os riscos, as impossibilidades e tudo que acharem conveniente.

Agora, se os pais proibem uma criança de 04 anos a ir num passeio da escola, eles não tem que explicar nada. Não pode ir e pronto.

Possa ser que eu esteja louca o suficiente para ir de contra a várias correntes de estudiosos sobre o assunto, mas como mãe (de um menino de 05 anos), entendo que para definir limites sem usar agressão física, é necessário impor regras e dar ordens sem espaço para questionamentos.

Na novela Viver a Vida, a Rafaela sempre pergunta para a mãe quando vão voltar para Búzios e a mãe responde: "Quando eu quiser". A menina não aceita essa explicação porque a mãe acostumou Rafaela a estar ciente de todas as decisões que ela precisa tomar. Em vários diálogos, quando elas ainda estavam em Búzios, a mãe "desabafou" com a menina. O erro está aí... a menina passou a se sentir mais madura e com direito de cobrar mais explicações sobre o que acontece.

Outro ponto importante é a questão do castigo. Em uma cena, já na casa de Helena, por conta das intervenções da menina, Dora disse que Rafaela iria pra cama sem jantar. Duas cenas depois, a menina olha séria para a mãe e pergunta desafiadora: "Eu não vou comer nada mesmo?". A mãe olha e diz: "Vem. Come metade do meu sanduíche". Ou seja, como a menina pode aprender que fez errado se a punição pode ser reconsiderada??? Castigo é castigo. Não pode. Pronto. É necessário que os pais avaliem o tempo e tipo de castigo que aplica aos filhos. Quando meu filho apronta, a primeira coisa que tiro são os desenhos. Ele fica uma tarde ou até o dia inteiro sem tv. Pode brincar com os bonecos e carrinhos, mas na hora do "Pica-Pau" nem adianta me olhar com cara de arrependido... desenho só no dia seguinte.

Então, Manoel Carlos não tirou tudo aquilo da cabeça dele, nem é idéia dele... é apenas o reflexo do que muitos pais fazem, talvez até sem notar. E o resultado é esse: as pessoas a volta ficam com raiva da criança e deixam de observar a mãe. Criança cresce e um dia tornar-se um adulto com caráter baseado nos ensinamentos da infância.

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